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terça-feira, 18 de agosto de 2026

CCBB São Paulo apresenta exposição “Marlene Barros: tecitura do feminino”, quatro décadas de arte e memória

Com curadoria de Betânia Pinheiro, exposição reúne 15 obras que refletem sobre corpo, memória e os saberes transmitidos entre gerações




O Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo recebe a exposição Marlene Barros: Tecitura do Feminino, primeira mostra individual da artista maranhense na instituição. Com curadoria de Betânia Pinheiro, a exposição reúne 15 trabalhos produzidos em diferentes momentos da trajetória de Marlene Barros, entre esculturas, bordados, crochês, instalações e objetos, que transformam técnicas tradicionalmente associadas ao ambiente doméstico em linguagem artística para discutir questões relacionadas ao corpo feminino, à memória, ao cuidado e às estruturas históricas que invisibilizaram a produção das mulheres.

Com mais de quatro décadas de atuação, Marlene Barros construiu uma pesquisa artística que tem o universo feminino como eixo central de sua produção. Em suas obras, linha, tecido, bordado e crochê deixam de ocupar o lugar do fazer utilitário para se afirmarem como instrumentos de elaboração estética, crítica e política.

Inspirada em uma pesquisa iniciada durante seu mestrado em Arte Contemporânea na Universidade de Aveiro, em Portugal, a artista parte da ideia da costura como gesto de reparação simbólica. O projeto nasceu a partir da proposta de intervir em uma casa em ruínas localizada no campus da universidade, experiência que levou Marlene a estabelecer relações entre arquitetura, memória e corpo.

Na exposição, costurar torna-se um gesto de reconstrução, enquanto o entrelaçamento das linhas remete às relações familiares, aos afetos, às heranças culturais e às marcas deixadas pelo tempo. Ao mesmo tempo, a mostra evidencia como atividades historicamente desempenhadas por mulheres foram sistematicamente desvalorizadas e afastadas do reconhecimento institucional no campo das artes.

"Essa exposição nasceu de uma pesquisa muito íntima sobre a condição da mulher, os saberes transmitidos entre gerações, o trabalho invisibilizado, os afetos, as cicatrizes e as resistências que atravessam nossas vidas. Ver esse trabalho ganhar novos sentidos a partir do olhar de cada visitante foi um dos maiores presentes que eu poderia receber. Esse é, para mim, o verdadeiro sentido da arte." comenta Marlene Barros

Reunindo obras produzidas em diferentes períodos da trajetória da artista, Marlene Barros: tecitura do feminino apresenta um percurso que atravessa temas como maternidade, identidade, sexualidade, violência, pertencimento e memória. Sem seguir uma ordem cronológica, a mostra propõe um percurso livre, aproximando trabalhos que dialogam entre si por meio da materialidade dos tecidos, dos bordados e das esculturas.

Entre os destaques está "Eu tenho a tua cara", instalação composta por 49 rostos femininos que tensiona as relações entre identidade, alteridade e construção social do indivíduo. Em “Caixa Preta", fotografias, colagens, intervenções têxteis e escritos formam um autorretrato expandido, atravessado por memórias pessoais e afetivas.

Já “Coso porque está roto” utiliza um casaco bordado para estabelecer relações entre corpo, cura e reparação simbólica, enquanto “Entre nós" propõe uma imersão em peças confeccionadas em crochê que revisitam práticas tradicionalmente atribuídas às mulheres. Em “Quem pariu, que embale”, Marlene Barros questiona a naturalização do cuidado como responsabilidade exclusivamente feminina.

Durante o período expositivo, a programação educativa reúne atividades voltadas a públicos de diferentes idades, como visitas mediadas, oficinas, palestras e experiências de criação coletiva relacionadas aos processos de bordado, costura e crochê. As ações ampliam o diálogo com a exposição e convidam o público a experimentar essas técnicas como formas de expressão, elaboração da memória e compartilhamento de experiências.

"Iniciamos essa conversa em São Luís, ampliamos esse percurso em Belo Horizonte e agora esperamos que o público de São Paulo entre nessa ciranda para dar continuidade a esse diálogo. É uma conversa que não se encerra nas obras, mas se amplia nas experiências compartilhadas entre muitas pessoas. Espero que sigamos refletindo sobre o feminino como uma construção histórica, social e cultural, honrando as ancestrais que abriram os caminhos para que hoje possamos compartilhar experiências, memórias e narrativas de mulheres." comenta a curadora Betânia Pinheiro.

Para Gabriela Azevedo, gerente geral do CCBB São Paulo, “receber esta exposição, que transforma práticas têxteis em expressões poéticas e políticas, é reafirmar a diversidade das expressões femininas na arte brasileira. São esculturas, instalações, objetos que representam práticas e memórias historicamente marginalizadas e realizá-la no CCBB é fortalecer o compromisso com a escuta, a reflexão e ampliação de perspectivas sobre o feminino na contemporaneidade”.


SOBRE AS AÇÕES EDUCATIVAS

Para a exposição Tecitura do Feminino, o programa CCBB Educativo – Arte e Cultura preparou uma série de atividades gratuitas, para toda a família. O público poderá interagir com o Sensorial Estúdio “Tornar-se Pele”, criado como um símbolo de uma travessia por todas as peles que nos vestiram. A programação traz ainda duas ações cênico-musicais. Em Som em Cena: “Tear-te” o trabalho manual se transforma em ritmo, entendendo o gesto repetitivo como composição. Já no InsPIRAção: “COMfiar”, a equipe educativa enreda significados das obras com os visitantes passantes usando fios, nós e tramas.

Aos sábados e domingos, o projeto Tardes Brincantes traz atividades livres e com hora marcada para que, fio a fio, visitante a visitante, sejam tecidas as experiências. O público poderá participar da oficina Primeiro Brincar: “trAvessos”, que convida os pequenos a descobrir o avesso do corpo e adentrar nesses órgãos. Já na Oficininha: “Eu tenho sua máscara”, as crianças são convidadas a criar uma nova face para Cazumbá, personagem do Bumba Meu Boi da Baixada Maranhense.

Outra opção é a FaBrincando: “Tramas em Retalhos”, em que as crianças experimentam o bordado em diferentes suportes, como papel, pedra e madeira. Para os fãs de histórias e leituras, a contação Conto um Conto “De Ponto em Ponto’” traz uma seleção da tradição oral, enquanto o projeto “Que Livro é Esse?” terá como opções as obras Meninas podem ser tudo, Meninos podem ser tudo, O quintal das irmãs, A menina que bordava bilhetes, A tecelã dos sonhos e Este não é um livro de princesas.

Durante o período da exposição é possível conferir ainda a Oficina Integrada: Linha Em fusão, com senhas distribuídas 15 minutos antes de cada sessão. Esta prática de ateliê traz como inspiração a matéria-prima da artista Marlene Barros, ensinando aos participantes o ofício de fiar.

A programação ainda inclui visitas mediadas com a curadora Betânia Pinheiro, workshop sobre curadoria, mediação e acessibilidade, a oficina “Arpilleras de si”, conduzida pela própria artista, além de performances e práticas de ateliê abertas ao público. As atividades contemplam diferentes perfis, entre educadores, artistas, estudantes, produtores culturais e público em geral, criando espaços de troca, experimentação e reflexão a partir dos temas presentes na exposição.

SOBRE A ARTISTA

Natural de Bacurituba (MA), Marlene Barros é artista visual, pesquisadora e produtora cultural. Com mais de quarenta anos de trajetória, desenvolve trabalhos em escultura, crochê, pintura, performance, instalação e intervenção artística, tendo o universo feminino como principal eixo de investigação.

É coordenadora do Ateliê Marlene Barros e do Ponto de Cultura Coletivo ZBM, espaços dedicados à formação artística e ao fortalecimento da produção cultural maranhense. É bacharel em Desenho Industrial pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), especialista em Artes Visuais: Cultura e Criação pelo Senac e mestre em Arte Contemporânea pela Universidade de Aveiro, em Portugal.

SERVIÇO
Marlene Barros: Tecitura do Feminino

Período: 26 de agosto de 2026 a 25 de janeiro de 2027
Local: Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo
Endereço: Rua Álvares Penteado, 112 – Centro Histórico – São Paulo (SP)
Entrada gratuita

Ações Formativas
Visita mediada da exposição
Data: 29 de agosto (sábado)
Horário: 10h
Com: Betânia Pinheiro, curadora
Público: público em geral

Workshop “Tecendo Experiências: Curadoria, Mediação e Acessibilidade”
Data: 24 de outubro (sábado)
Horário: 15h às 17h30
Com: Betânia Pinheiro, curadora
Público: educadores, mediadores culturais, artistas, estudantes, produtores culturais e demais interessados

Oficina “Arpilleras de si”
Data: 12 a 15 de novembro
Horários: quinta e sexta, das 15h às 18h; sábado e domingo, das 10h às 13h
Com: Marlene Barros
Público: mulheres cis e trans, pessoas não binárias, artesãs e artistas maiores de 18 anos

Prática de ateliê
A partir de 04 de setembro
Datas: sextas, sábados e domingos
Horários: 12h30 às 14h e 18h30 às 20h
Público: público em geral

Funcionamento
Aberto todos os dias, das 9h às 20h, exceto às terças-feiras.
Informações
Telefone: (11) 4297-0600
Estacionamento
O CCBB possui estacionamento conveniado na Rua da Consolação, 228. Valor: R$ 14 pelo período de seis horas, mediante validação do ticket na bilheteria. O traslado entre o estacionamento e o CCBB é gratuito, das 12h às 21h.
Van gratuita
Saídas da Rua da Consolação, 228, com retorno também ao metrô República, das 12h às 21h.

Transporte público
O CCBB São Paulo está localizado a cerca de cinco minutos da estação São Bento do Metrô. Também há diversas linhas de ônibus com parada nas ruas Líbero Badaró e Boa Vista.
Acessibilidade
Pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida podem utilizar a entrada lateral, localizada à esquerda da entrada principal.


segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Brunner faz intervenção durante "Grito dos Excluídos" do SEFRAS com projeções em prédio do centro do Rio




Artista visual que já mantém uma forte conexão de sua arte com questões de política e cidadania criou uma nova linguagem dentro de seu projeto provocador ARTELUX que une a inspiração na pop art e o fogo como símbolo de transformação

Convidado para ser autor e curador do conteúdo artístico do SEFRAS para a manifestação durante o “Grito dos Excluídos”, no dia 7 de setembro, as 7h07 da noite, o artista visual e performer Brunner apresenta pela primeira vez um desdobramento de seu projeto ARTELUX. Obras que, literalmente, nasceram com o tamanho de uma caixa de fósforo, neste dia ganharam a dimensão gigante da causa em uma grande projeção em um prédio do Lardo da Carioca, no centro histórico do Rio de Janeiro.

O “Grito dos Excluídos”, surgiu em 1994, a partir do processo da 2ª Semana Social Brasileira, da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). Entre as motivações que levaram à escolha do dia 7 de setembro para a realização do “grito” está a de fazer um contraponto ao Grito da Independência.

O local escolhido para a manifestação é intencional, pois ali, ao lado das paredes urbanas, do abandonado Centro do Rio de Janeiro, funciona hoje a emergencial Tenda Franciscana que distribui refeições duas vezes ao dia para a população em situação de rua.

Transformação pelo fogo da ARTELUX

A ARTELUX nasceu inspirada na pop art e, em 2019, ganhou exposição na Galeria Apis, no Rio. Trata-se de uma produção em série de caixinhas de fósforo identificadas com uma marca idealizada pelo artista, a ARTELUX.

Na expo de 2019, as caixinhas são disponibilizadas para venda no espaço expositivo pelo preço usual de uma caixa de fósforo. O público levava para casa não como arte, mas como fósforos utilizáveis em suas necessidades comuns do cotidiano.

“No ‘Grito dos Excluídos’ as caixas de fósforo da ARTELUX ganham uma função de compartilhamento do fogo, como transformação, ou da luz para que as pessoas que vivem à margem da sociedade possam ser vistas. Representantes desses cidadãos abandonados pela sociedade estarão presentes nessa intervenção, iluminados pelo fogo e invadindo o olhar de quem insiste em ignorá-los”, explica Brunner.

O convite feito a Brunner leva em consideração a narrativa do projeto ARTELUX, que propõe uma reflexão política sobre o sistema e seu funcionamento. O projeto é um disparador para insurgências e transformações internamente ao próprio sistema.

A organização, que pela primeira vez se expressa por meio da intervenção de um artista moderno, corrobora seus valores de transformação social. O fogo, e a relação com a linguagem e estilo da pop art, marca o sinal de transformação como necessidade e chama atenção para a atual necessidade de reforçarmos a pauta da dignidade humana em nosso país.

Sobre o SEFRAS: www.sefras.org.br  - Sobre o artista: www.brunner.press/sobre



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